Finalmente!

Resolvi estalar os dedos e começar a escrever sobre tudo o que gosto e sinto em relação a tudo o que vejo, vivo e presencio. Sejam bem vindos.


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O diálogo entre Vanellope e as princesas: por que problematizar um legado?

Ok, devo assumir que nem todos puderam ter a oportunidade de assistir ao filme “Ralph Quebrando a Internet” ( já tem torrent, viu? Pode baixar kkk).

Mas esta cena esteve nos trailers bem antes do filme estrear e mesmo naquela época eu já me perguntava o por que da ironia e problematização diante das criações mais conhecidas e veneradas do estúdio.

Qual é o problema em ser uma princesa Disney?

No diálogo, Vanellope tenta convencer as mais conhecidas princesas da Disney de que também faz parte do grupo. Elas a avaliam com estranheza e passam a questioná-la sobre diversos aspectos de sua própria vida, baseando no que algumas delas tem em comum que talvez possa ajudar a caracterizar uma princesa de verdade.

Quem conhece cada um dos filmes como eu conheço, pode até rir um pouco da situação. Analisar histórias que te encantaram na infância enquadrando-as em situações sérias e reais como sequestro, cárcere, necrofilia, problemas familiares e necessidade de sempre ser salva por um homem é de tirar a magia de qualquer um.

“Qual é o problema de vocês? Preciso chamar a polícia?”

Aí me veio a pequena Vanellope julgando cada problema como transtorno, sendo que a própria nunca havia saído de seu mundo de corridas açucaradas e rotina de arcades para ter uma história de verdade. Ela na verdade só pode transpor o limite de seu própio mundinho quando conheceu o Ralph e ainda assim isso não se sentia satisfeita.

Limites ultrapassados por Rapunzel, quando fugiu da torre com a consciência pesada por abandonar a maquiavélica Goethe. Limites ultrapassados por Mulan quando decidiu se arriscar pelo pai e pela honra da família, mesmo sendo mulher em um tempo em que desobediência era punida com morte. Limites ultrapassados por Tiana e sua insistência em ter uma vida melhor, Ariel e sua vontade de conhecer o mundo acima do mar, Moana e a voz que a chamava pra uma missão que só a ela cabia. Todas passaram por momentos de sair de sua zona de conforto para alcançar algo que almejavam, em prol de si e dos seus.

O que diferencia Vanellope dos traumas, erros e necessidades das princesas que pré-julgou?

Muitos encararam isso como um Mea Culpa da Disney, em assumir que criou personagens fantasiosos demais, com expectativas muito altas a serem passadas pra crianças no mundo todo, apesar de cada história ter suas vitórias, derrotas e lições.

Mea Culpa pelo quê se a meu ver nada fizeram de errado? Quem focou apenas em aspectos como os elencados nas comparações das princesas, não aprendeu nada com as histórias. Claro que citá-los agora traz uma carga brm mais dramática e realista às histórias que sempre me encantaram, mas nem depois de ver sob esses olhos julgadores, estas histórias deixar de me ensinar.

Problemas de família, que não os tem ou nunca os teve? O meu Poseidon queria que eu namorasse só aos 50 anos, e cá estou eu com metade dessa idade, namorando e amando à 5 anos. Já tive irmã malvada bem próxima que, ao contrário do que pensavam todos, é capaz de enganar e ferir, quase como o Scar. Existem pessoas boas que surgem no teu caminho pra serem teus amigos, ou serem o amor da tua vida e isso não que dizer que o mérito da história foi Ele ter te salvado ou seus amigos estarem do teu lado. O mérito é você ter vivido cada momento até chegar lá e ter merecido cada vitória e aprendido com cada derrota.

Chegar fazendo chacota como se pudessem diminuir cada história à rótulos, é desrespeitar um pouco todo o trabalho realizado até aqui.

Houveram avanços? sim,houveram. De uma Branca de Neve apática à uma Moana decidida foram muitos anos de evolução nos traços, na estrutura narrativa, na construção de comportamento dos personagens e no protagonismo de casa uma. Mas cada passo foi igualmente importante e nenhum deles é digno de desmerecimento.

Não comentarei o desfecho do filme ou da cena em questão, mas foi tão digno quanto todos os anteriores.

Aprender com o que julgamos ser tão diferente de nós ou tão distante da nossa realidade, nos faz perceber que não somos tão diferentes assim.

E mesmo que você nunca saia por aí cantarolando sobre o que te faz sonhar, no teu coração tu sabes exatamente o que te move.

Podemos ser o que quisermos, sermos salvos ou salvar por quem e a quem quisermos. Foi o que aprendi nos filmes da Disney.

E ela não me deve nenhuma desculpa por me ajudar a sonhar.

Ps. essa cena aqui em baixo não aconteceu. Mas poderia ter acontecido. 😉

Rebeldes, Demônios e Santos: Comparações e comentários acerca das séries Diablero e The Exorcist.

Séries sobre demônios tem feito muito sucesso nos últimos anos, que dirá a infinita Supernatural, a recém salva do cancelamento Lúcifer e as infelizmente canceladas Constantine e The Exorcist.

Apesar do assunto parecer mais do que clichê depois de tantos anos sendo abordado em filmes, das mais diversas formas ,ainda há muitas tentativas de inovar no modo como são contadas as histórias.

Vemos isso, por exemplo, no jeito como são apresentados os demônios, agora longe daquela fantasia tão comumente utilizada pela igreja no corpo vermelho com chifres e rabo, para a forma mais próxima humana com ar sedutor e poder de escolha quanto ao como se apresentar conforme a ocasião.

Se há muito interesse e há diferentes produções, como chamar atenção para que se interessem por mais uma história sobre demônios? Chamando ex integrantes de uma novela mexicana de muito sucesso nos anos 2000.

Ok, talvez isso não chame a atenção de todos como chamou a minha.

Mas o interesse pelo oculto aliado às velhas faces de uma adolescência embalada por músicas em espanhol aguçou a minha curiosidade quanto à evolução na atuação de Christopher Von Uckerman e Alfonso Herrera, agora ambientados em situações bem mais complicadas que a de uma escola de classe média alta na época da rebeldia juvenil.

O primeiro que pude avaliar foi o Alfonso, que interpretou o padre Tomas na série da Fox “The Exorcist”. Não sei se todos sabem, mas a banda RBD terminou por causa da vontade do Alfonso de seguir focado na carreira de ator. Permitam-me dizer que a escolha foi corretíssima.

Claro que muitos sabem disso por o terem assistido em Sense 8. Como meu primeiro contato com o Alfonso fora da novela Rebelde, foi na série The Exorcist, o impacto foi bem maior.

A série The Exorcist foi uma grande homenagem ao filme e ao escritor William Peter Blatty. Sua primeira temporada empolgou com uma narrativa comum ao tipo de enredo, mas com personagens impetuosos ao defende seu lugar na história. Falar sobre o corromper da igreja católica também foi um acerto, já que a situação está bem longe de ser apenas ficção, infelizmente.

Na segunda temporada a história foi mais arrastada mas as atuações foram fenomenais e acabou por atingir um ápice que eu desejava muito que tivesse prosseguimento. O que infelizmente não acontecerá, pois logo depois da Disney adquirir a Fox, essa foi uma das primeiras séries a ser cancelada ( Mickey não curte exorxismos…).

Apesar de não ser o centro das atenções e dividir o palco dos acontecimentos com atores tão preparados quanto ele, Alfonso mostrou maturidade em todos os momentos da primeira e da segunda temporada desta série. Não era meu padre preferido na trama( padre Markus era bem mais rígido e carismático) mas cumpriu muito bem seu papel como aprendiz de exorcista.

Ainda sentindo falta da atmosfera e das atuações de The Exorcist, qual não foi a minha surpresa de descobrir que mais um ex-RBD havia enveredado para as séries de terror com temática demoníaca. Desta vez era o Christopher Von Uckerman, que já havia feito uma participação no filme da Netflix “Como superar um fora” e agora vive um padre na série também da Netflix “Diablero”.

Essa série, também baseada em um livro, desta vez escrito pelo autor mexicano Francisco Haghenbeck, sob o título El Diablo me obligó, lembra mais a vibe da curta,mas maravilhosa série Constatine.

No enredo de Diablero os demônios tem mais liberdade, o “exorcista” aqui chamado de Diablero, usa métodos menos ortodoxos que os da igreja já apresentados em filmes e na série The Exorcist e o padre, interpretado por Uckermann, aparecido perdido em seus próprios erros e pecados. Talvez seja por isso que ainda não dê para reconhecer uma atuação mais apurada do ator. Os outros personagens tem personalidade mais forte, sabem a que vieram e escancaram suas atitudes e seus traços em cada cena e ele ainda parece perdido, como o personagem, em crenças religiosas e não permissões que, pasme, não o impediram de ter gerado uma filha.

A igreja aqui também se mostra corrupta em seus detalhes, não se foge mais disso, e a discussão entre a proximidade de demônios exteriores e o perigo dos demônios interiores está sempre presente.

Ainda estou assistindo Diablero, não com a mesma empolgação a que acompanhei Constantine ou com a pressa que pedia por episódios novos de The Exorcist, mas com a curiosidade de querer saber onde tudo vai levar.

O clichê de se lidar com forças demoníacas, longe de estar saturado, só precisa de novos modos de contar uma velha história.

Não há mais o medo exacerbado que um dia havia, talvez por sabermos que a humanidade, sem ajuda de entidades infernais, já comete atrocidades diariamente sem um pingo de culpa. Talvez por nos darmos conta que alguns representantes de várias religiões e crenças são capazes de usar a confiança que seus fiéis depositam neles para traumatizar-lhes de formas horrendas e diversas. O medo se esvaiu porque a maldade infelizmente virou cotidiano. Por todos os lados. Com a ajuda ou sem a ajuda de demônios (interiores e entidades exteriores).
Neste mundo, entre Rebeldes, Demônios e Santos onde não há a clara distinção de quem é quem, o que sai ganhando é o entretenimento. Que ao desvelar resquícios de conhecimentos ocultos e ao escancarar verdades cotidianas te mostra que nem tudo é o que parece ser. E que a maldade, assim como a bondade, pode estar sempre bem perto de você.

Vai de cada um saber como lidar com tudo isso.

( The Exorcist você encontra por Torrents e Diablero, você encontra na Netflix.)

( Assistam Constantine também, teve só uma temporada e episódios maravilhosos)

Being Erica: você voltaria no tempo para consertar seus erros do passado?

Se você tivesse a oportunidade de voltar ao seu passado, com o conhecimento e a experiência que você tem hoje, você voltaria?

Posso apostar que muitos de vocês responderiam que sim.

E se esses momentos fossem momentos específicos, escolhidos à dedo por você, para consertar algo que você se arrepende de ter feito, vivido ou dito? A sua lista seria grande?

Muitas perguntas, eu sei. Peço desculpas por tantos questionamentos. Mas se, por algum motivo, algumas dessas opções pareceram tentadoras para você eu lhe digo que você vai adora conhecer a história de Erica Strange.

Recém demitida, indignamente dispensada pelo namorado e à beira de um colapso nervoso pela pressão da família em ser considerada um fracasso quando precisava ser uma mulher de sucesso aos 30 anos, Erica estava sem rumo.

(Ajustando um ponto aqui, outro ali, quase descrevi uma geração inteira, certo? kkkk)

Em um golpe de sorte do destino, é surpreendida com uma reação alérgica e ao ser internada em um hospital, conhece o Doutor Tom, o homem que seria o responsável pela reviravolta mais surpreendente de sua vida.

O homem, que inicialmente parecia normal, começa a falar com Erica como se conhecesse todos os seus problemas e se oferece para ajudar. E é aí que a magia começa: Dr Tom é na verdade um psicanalista capaz de fazer uma terapia real de volta no tempo(sem Delorean, infelizmente). Tudo em nome da saúde mental de sua paciente, que culpa seus erros do passado pelo fracasso que considera a sua vida no presente.

E sabe qual é a melhor parte? Ele aparece nas horas que Erica mais precisa, ao simples abrir e fechar de qualquer porta existente. Ou seja: é o sonho de qualquer ser humano pilhado com o stress do cotidiano moderno.

Conheci essa série canadense por uma professora de conversação e só Deus sabe o quanto sou grata à ela pela indicação. Acompanhar Erica Strange, Dr. Tom e os demais personagens igualmente apaixonantes dessa série foi realmente uma terapia. De desconhecida, Erica praticamente se torna sua melhor amiga. Você torce por ela, sofre com ela, fica feliz com ela e aprende e muito com tudo o que ela considerou como erro na vida e com tudo o que ela vive. Você começa a rever o seu passado de uma forma bem menos negativa, como se a terapia estivesse surtindo efeito em você também.

As voltas no tempo são reais e o que Erica muda interfere sim em seu futuro. Tanto no modo como passa a se sentir em relação aos acontecimentos quanto nas consequências futuras daquelas específicas mudanças. E aqui é que infelizmente temos que nos contentar em aceitar o que passou e seguir em frente, por não termos um Dr. Tom ao nosso lado pra nos permitir as mesmas mudanças no passado.

Quem disse que a vida é justa?

Eu queria, de verdade, ter resposta ou solução para todas as angústias que possam habitar seu coração e mente, querido leitor. E também queria que surgisse um Dr. Tom na vida de cada um pra proporcionar a mesma experiência que Erica teve. Mas ainda podemos sonhar e aprender por exemplos. E eu creio que, de uma forma ou de outra, acompanhar a jornada dessa série pode mudar tua vida. Assim como mudou a minha.

A série conta com 4 temporadas, mas você nem vai sentir passar e logo sentirá saudade. É possível assistí-la inteira no Youtube, com legendas. E é uma excelente pedida pra quem, mesmo que não tenha chegado na idade dos insucessos de 30 anos, já tenha se sentido marcado negativamente por acontecimentos e arrependimentos do passado.

Não vai substituir terapias reais, logicamente. Mas, como Friends, HIMYM e tantas outras “séries refúgio” existentes na memória afetiva de todos, Being Erica também merece um lugar cativo no seu coração.

(eu introduzi bem mas não contei spoilers, prometo. ❤️)

(você vai querer anotar em um caderninho todas as sacadas genias do Dr. Tom, SÉRIO)

Bandersnatch, Você Decide ou Life is Strange? A interatividade e as escolhas que fazes na vida.

Quando ouvi falar sobre o filme interativo da série Black Mirror, onde terias possibilidade de escolher o teu final através das escolhas que te seriam propostas no decorrer da história, pensei: excelente! um novo passo pra série, que possui temas e enredos muito bons em seu arsenal de 4 temporadas e uma oportunidade de participar mais diretamente disso.

Me desculpem a franqueza, mas me decepcionei.

Talvez fosse essa a intenção e eu “não tenha entendido o conceito”. Talvez o limitar de tuas escolhas na maioria das vezes pra te levar a fins específicos tenha o objetivo maior de te provar algo, como: não importam tuas escolhas, não são só elas que controlarão teu destino. Algo bem Black Mirror de se fazer, né? abrir margem para interpretações e sair ganhando por ter te feito pensar.

Em todo caso, passar por uma experiência assim me fez lembrar de outros projetos semelhantes, na tv brasileira, na literatura e nos games.

Quem é velho o suficiente para lembrar do “Você Decide”? Eu sou.

Um programa que apresentava situações cotidianas em forma de enredo e encenação de atores e permitia que telespectadores do Brasil inteiro opinassem, por maioria de votos através de ligações, pelo final que achassem melhor. Rede Globo já esteve a frente de seu tempo. E, ok, além das primeiras engatinhadas da interatividade, o projeto também servia como uma pesquisa de gosto popular, o que auxiliava na produção das novelas e demais opções de entretenimento da emissora.

Bem Black Mirror, ainda, certo? É, eles estavam certos em Bandersnatch…

Me lembrei então de um livro que custava 7 reais em uma feira de livros aqui de minha cidade, no ano de 1999 creio eu. Mamãe o comprou e o deu a mim e, apesar de fino(sempre amei livros então quanto mais grosso, mais história e mais felicidade), me empolgou por ser sobre uma casa assombrada, tema que sempre me interessou bastante.

Ah, gente. Lembro até hoje da satisfação de descobrir que eu podia escolher meu percurso. O livro não era lido de forma direta, sabe? Você começava e chegava em pontos em que tinha escolhas a fazer. E cada uma delas te direcionava para uma página diferente, e de lá você seguia. De escolha em escolha , todos os finais eram igualmente surpreendentes. O tipo de livro que você tem o maior prazer em ler. Quisera eu ter buscado toda a coleção ” Escolha a sua aventura” da editora Ediouro. Mas eu era criança e não tinha um discurso tão persuasivo pra pedir que minha mãe fosse atrás.

Em comparação ao episódio Bandersnatch e aos muitos capítulos de Você Decide, o livro da Casa Mal Assombrada te permitia uma enorme variedade de escolhas e rumos. Não existia o “não poder”. Você se sentia mesmo na história. E não cansava porque podia voltar e começar tudo de novo, com novas escolhas, com novos e diferentes fins. Ah, gente…queria ter ele de novo em mãos…

Essa sensação que tive ao ler A Casa Mal Assombrada eu só pude sentir de novo quando joguei o jogo Life is Strange.

Neste jogo, tens também a opção de escolher o rumo que tua história vai tomar. E te apresenta desde escolhas simples à escolhas complexas sendo que, desde os primeiros minutos, faz questão de te deixar ciente de que cada uma delas terá um peso enorme em tudo o que acontecerá a seguir.

Quase como a vida, sabe?

O engraçado da vida é que ela é a expressão real da arte, mas muitos se empolgam tanto com a arte que se distraem do que ela possa acrescentar de ensinamentos úteis para a vida.

Em todos os exemplos anteriores de entretenimento movido à ideia de interação, meu envolvimento com a arte de forma alguma interferiu no modo como eu analisava as escolhas do meu cotidiano, da minha própria vida e da relação que essas escolhas tinham com o mundo que me cercava.

O jogo Life is Strange mudou completamente essa percepção. Talvez pela ambientação, pela forma aprazível com que a trilha sonora e a estética do jogo te lembrem a vida real. Ou talvez seja pelo enredo e por tudo o que é posto à prova no decorrer da tua experiência em estar jogando. Cada escolha angustiava por não saber o que dali sairia. Cada consequência aliava ou pesava da mesma forma que pesaria se aquilo acontecesse contigo de verdade.

Mais do que entreter, ou te dar a chefia de comando da história, a arte aliada à interatividade deve ter sempre algo a te ensinar. Seja com a clara intenção de expor que tu deves ter a responsabilidade de decidir e arcar com as consequências de teus atos, seja por te conscientizar de que todas as tuas decisões interferem de formas significativas no ambiente ao teu redor.

Life is Strange fez tudo isso sem te deixar preso em escolhas pré determinadas, sem pecar no roteiro te proporcionando um jogo com uma história maravilhosa, com trilha gostosa de ouvir, personagens pra todos os gostos, te deixando com ensinamentos práticos de vida com a sensação de estares vivendo uma extensão muito bem elaborada de um dos melhores filmes que já foram feitos: Efeito Borboleta.

Ao elencar os diferentes exemplos nos quais a indústria do entretenimento me deu a oportunidade de interagir, eu também fiz a minha escolha. Entre o indicar que agentes externos controlam tua mente ou o de teres certeza que tuas escolhas movem uma indústria, escolhi o entretenimento puro e a conscientização individual. Porque mesmo que a premissa Black Mirror esteja correta, o modo como ages no teu cotidiano e a tua responsabilidade e consciência de como lidar com as consequências individuais e interpessoais de cada atitude é que te darão os melhores rumos na tua vida.

Dumplin’ e a revolução de ser você mesmo

O sentimento mais próximo que uma pessoa pode ter com um filme é o sentimento de reconhecimento. Se aquela história que você assiste parece com a tua ou aquele personagem parece contigo na aparência ou no jeito de agir ou pensar, você involuntariamente vai gostar daquele filme. De graça.

O filme Dumplin’ teve esse efeito em mim desde o trailer (que pude ver porque foi compartilhado pela autora de livros adolescentes que mais li na vida: Meg Cabot) e o sentimento de ver uma parte de mim realizada a cada cena continuou até o último minuto.

Em uma sociedade que idolatra a perfeição estética e condena e ridiculariza quem não está dentro do padrão, ser gorda, por exemplo, é quase um atestado de incompetência. Falo isso porque vejo e sinto isso diariamente(em casa e na rua). É verdade que muito tem se discutido e uma parte dos seres humanos aprendeu a respeitar a vida e as escolhas alheias, mas infelizmente existem mais pessoas para jogar pedras do que para se preocupar ou incentivar.

No filme, conhecemos Willowdean Dickison, uma garota que desde criança era gordinha. Mas fora criada com o amor e o incentivo constante de sua tia Lucy que a ensinava exatamente como deveria encarar a vida, não deixando que nada apagasse o brilho no olhar da pequena Will.

Willowdean não tinha muito contato com sua mãe Rose(interpretada pela nossa eterna Rachel, Jennifer Aniston) que foi coroada como miss do concurso de beleza da cidade e desde esse título era a responsável pela seleção e treinamento das futuras candidatas à miss.

O preconceito que Rose tinha com o corpo de Willowdean começa a ser diretamente sentido quando tia Lucy falece, preconceito esse já existente na escola com bullyings diários a ofendendo por seu peso. Como a miss mais conhecida da cidade poderia ter como filha uma garota que não é magra? Isso irritava profundamente Willowdean, que resolveu desafiar a mãe se candidatando à miss do concurso que Rose a tantos anos organiza e idolatra.

A revolução individual de Willowdean representou a maior superação pessoal de sua vida. Quantos de nós já desistiu de algo por achar que não éramos capazes o suficiente? Quantas palavras ferinas já te destruíram tanto a ponto de te impedir temporariamente de erguer a cabeça e seguir em frente? Falo em meu nome e em nome da personagem que muitas pessoas acima do peso passam por humilhações, chacotas e preconceitos diários. De forma absolutamente gratuita. Se não fosse a força em transpor tudo o que vemos e ouvimos num anseio de mostrar que temos capacidade intelectual, física e moral de fazer tudo o que os ditos “perfeitos” fazem, apesar de todos os preconceitos, acabaríamos por achar que não merecemos amor, nem atenção, nem respeito.

O filme aborda esse alvo, mas sabemos que muitos são os alvos de todo tipo de intolerância e desrespeito e que precisamos evoluir muito como sociedade e como seres humanos para que isso seja mudado. Willowdean, apesar de desde o início não querer ser coroada como a incentivadora de uma revolução maior, acaba servindo de exemplo pra muitos de nós que ainda insiste em se melindrar com o que os outros pensam, que ainda pensa não ser digno de respeito e amor, que não se julga bom ou forte o suficiente pra continuar. É um filme de incentivo, de amor, de amizade e de buscar a força interior pra mostrar pra todos o melhor de nós, ainda que existam forças contrárias.

Uma nota pessoal é que ao invés de Dumplin’, apelido pejorativo que Rose deu à filha , chamando-a de ” bolo de massa”, o filme poderia facilmente ser chamado de Lucy. Quem o assistir entenderá o verdadeiro porquê.

É um filme da Netflix que infelizmente não foi disponibilizado na plataforma para nós, brasileiros. Ainda.

Mas é facilmente encontrado em sites de torrent. Divirta-se e revolucione também sua própria vida. ❤️

The Good Place e as pessoas maravilhosas que podes encontrar depois de morrer

Alguma vez você já parou para pensar no lugar para onde irá depois de morrer?

‘Que pergunta mórbida, Mizuko”…você deve pensar.

Eu sei. Além de mórbida, uma questão assim suscita muita reflexão e vários flashbacks dos últimos anos passando rapidamente pela sua mente. É trabalhoso tentar responder.

Mas tenho certeza que, em algum momento da vida, cada um de nós já passou por certas escolhas pensando se a decisão contaria pontos positivos ou negativos no céu/inferno, no Karma pessoal ou simplesmente na compreensão individual de se considerar ou não uma “boa pessoa”.

Eleanor, vivida na série The Good Place pela atriz Kristen Bell( Veronica Mars/Frozen), não se preocupava muito com esses dilemas éticos entre certo e errado durante sua vida. Até morrer e ser recebida por engano no Lugar Bom( uma espécie de céu, se você acredita nisso), como uma boa samaritana com conduta impecável.

O que você faria no lugar dela? Diria que estavam errados na repartição de almas ou seguiria adiante como se nada tivesse acontecido?

Mesmo que tivesse certeza que seu lugar não era ali, Eleanor fingiu costume pois não desejava se auto condenar ao Lugar Ruim(inferno, se você o nomeia assim), e contando com a parceria recém formada com sua “alma gêmea de vida eterna”,Chidi Anagonye, começa a receber aulas sobre ética para ali, no Lugar Bom, poder se tornar finalmente uma boa pessoa.

E é aí que a brincadeira começa.

Ao juntar personagens tão distintamente diferentes em um lugar incomum, vivendo situações adversamente inéditas, The Good Place tem seu trunfo não só como entretenimento. Em diversos momentos da série, em suas três temporadas, os diálogos e a dinâmica entre os personagens principais te incentivam a criar laços sentimentais com pessoas que aparentemente nada tenham a ver com você, nas diferentes situações que viverás ainda em vida.

É aquela velha brincadeira do ” essencial ser invisível aos olhos”. Os quatro personagens principais se dividem em pilares de personalidade bem distintos e que transitam entre si com a facilidade de uma amizade de anos.

Eleanor é briguenta, sincera ao ponto de ser inconveninente, não se preocupa em agir certo e em muitas vezes é egoísta. Chidi, apesar de ter um senso ético quase milimetricamente moldado e ser extremamente educado e agir certo, passa mal só de pensar em ter que decidir entre duas opções, em qualquer situação que lhe seja apresentada. Tahani, vizinha de Eleanor no Lugar Bom( sim, o céu aqui é uma vizinhança, cada um possui sua casa moldada com base em tudo o que mais gosta) é uma mulher rica, com gostos finos e excesso de boas maneiras , egocêntrica ao extremo. E Jason é um crianção ingênuo, meio lento em discernimentos cognitivos mas com muito bom coração.

Descrevendo assim, parece um grupo de conhecidos dos tempos de escola , né? E na série, é como se fossem. Os dilemas existênciais, os problemas de convivência, o amadurecimento de cada um, as situações as quais eles enfrentam juntos. É como acompanhar o ensino fundamental e médio com as mesmas pessoas, mas neste caso, os ensinamentos vieram na vida pós morte.

Sob os comandos de Michael, o “arquiteto” do Lugar Bom, e Janet, a inteligência artificial não humana mais legal e com o maior banco de dados que você possa imaginar existir; esses quatro indivíduos vivem aventuras dignas de uma saudosa Sessão da Tarde dos anos 90.

É agoniante ter que falar de The Good Place sem poder dar spoilers, sem citar momentos, frases e reviravoltas. Mas o objetivo é que, como eu, te interesses a conhecer essa história com seus próprios olhos.

Tem parte cômica, tem drama, tem absurdos, tem ensinamentos. Tem tudo o que uma série precisa pra conquistar. Em The Good Place, tão importante quanto o lugar que você irá após a morte são as companhias que terás por lá.

Vale a pena assistir. Nem que seja pra te mostrar que as pessoas não precisam necessariamente pensar ou ser como você para serem os melhores amigos que encontrarás na vida (ou nesse caso, também na morte).

A Ganha pão e o presente de natal.

Quando chega perto do Natal é normal estarmos nostálgicos com natais passados e seus detalhes tradicionais, com filmes que costumávamos ver na tv nessa época, com familiares que já não estão mais entre nós…

A grande maioria ainda cultiva o hábito da troca de presentes e entre eles ainda existe aquela cobrança indireta do “não era o que eu queria”, “o do fulano foi melhor do que o meu” e tantos outros comentários que provavelmente já ouvimos ou já dissemos na vida. Todos já fomos crianças, afinal. Alguns ainda o são mesmo depois de ter envelhecido.

Pensei em falar sobre algum filme novo de Natal com aquelas histórias cheinhas clichês em meio a enfeites e neve que por um motivo ou outro, aquecem nosso coração ou sobre os filmes antigos que tantos amamos recordar, desde Esqueceram de mim até Herói de Brinquedo, passando por O milagre da rua 34 e…sei lá Edward Mãos de Tesoura.

Mas o mundo as vezes pesa e o véu ilusório das histórias mais lindas não consegue esconder o que ainda necessitamos alcançar , o quanto ainsa precisamos evoluir.

Essa animação chamada “A ganha pão” te coloca em meio a uma história que talvez já tenhas tido contato por noticiários esparsos na televisão. Que talvez tenhas uma leve noção de como seja por documentários citados em entrevistas. Mas por ser algo que não vês todo dia, acabas por esquecer que existe. E até uma outra notícia ser veiculada, não lembrarás deste tipo de história de novo.

Mais é aí que mora a importância da arte. Ela gruda em ti e nunca mais esqueces. Não é como aquela notícia que chocou mas que depois de um tempo você nem lembra do que se tratava. É aquela história com início, meio e fim que guardarás contigo pelo resto da tua vida.

A história de Parvana, a menina do título, é ambientada em um Afeganistão governado pelo Talibã, repleto daquelas leis em que mulher não pode andar sem o marido o irmão, o pai ou o filho que é capaz de ser violentada ou espancada. Sei que podes dizer que também vês isso todo dia no jornal local e eu sinto em ter de concordar. Vemos. E é aí que está a questão.

Por que a humanidade comete os mesmos erros repetidamente e insiste em por a culpa em formas de governo, em crenças religiosas, em fanatismos sem nexo sem se preocuparem em reconhecer o verdadeiro motivo? Sem tentarem mudar?

O pai de Parvana sempre a incentivou a sonhar e a não se limitar à realidade que vivia. Não o fazia diretamente, mas através de livros que a fizeram ser uma exímia contadora de histórias. Mesmo as histórias que não entendia, mesmo as que a machucavam.

Quando o pai de Parvana foi preso por ensinar à fillha sobre liberdade, ela teve coragem suficiente para tentar sustentar a família vestida de menino.

E foi aí que a sua visão de mundo se expandiu.

Viu oportunidades maravilhosas de novos sonhos, mas percebeu como o mundo era de verdade, presenciando dores e sofrimento. Mas percebam que, em nenhum momento, Parvana deixou de sonhar. Em todos os momentos, desde os mais sombrios até os mais encantadores ela estava lá, firme, forte e sonhadora. Com a garra que lhe foi ensinada pela mãe e a liberdade a que seu pai permitiu que vivesse.

Esta animação não é natalina. Ela fala de amor. Fala do mundo como ele é e fala do poder que nós temos em sobreviver a ele, lutando pelos nossos objetivos. às vezes sozinhos, às vezes ao lado de quem amamos, às vezes com ajuda de estranhos.

Parvana deixou uma marca muito profunda no meu coração em forma de três palavras: resiliência, garra e amor.

A luta por dias melhores, por um mundo melhor, depende de cada um de nós. Depende de pequenos gestos cotidianos que fazem sorrir nossos corações. Depende de, mesmo em meio a um deserto tomado por tanques de guerra, como no trechinho do filme ali em cima, ter o sonho de conhecer o mar e fazer o que for preciso pra que esse sonho aconteça.

Nesse natal, nesse ano novo, nesses ciclos que terminam e se reiniciam, que saibamos a verdadeira importância do amor e descartemos tudo o que nos afastar do que nos faz bem. Que não deixemos que nada nem ninguém tente ofuscar nosso brilho ou machucar nossas asas.

A animação “A ganha pão” te faz desejar um presente de natal que não depende do seu pedido e muito menos só da tua vontade. Te faz querer mudar o mundo. Te faz rezar pra que nenhuma criança precise passar pelo que Parvana passou( e sabemos que muitas crianças passam por isso e por situações bem piores).

Mas acima de tudo, te faz ter consciência de que, se queres de presente um mundo melhor tens que começar a construí-lo dentro de ti mesmo e do teu dia a dia.

Feliz Natal, pessoal. Queiram dias melhores e sejam pessoas melhores. O mundo precisa.

Todos nós precisamos. ❤️

Switched e a nossa eterna mania de achar que a vida do outro é melhor que a nossa

Em tempos onde o número de seguidores em redes sociais como o Instagram definem se você é um influenciador digno de paparicos ou se é só uma pessoa normal convivendo com outros seres humanos, assistir uma série como Switched pode induzir a efeitos libertadores ou devastadores. Lidar com a mente humana é uma enorme responsabilidade se não temos como prever suas reações. E é impossível sair ileso de uma história como essa.

Peço licença pra contar algo pessoal, o que me levou a analisar meticulosamente cada pequeno efeito que cada episódio me fez sentir. Sempre fui estranha e não popular, alvo fácil de chacotas desnecessárias e comparações exageradas. Quem cresce tendo a certeza errônea de que não se “é lá essas coisas” para os outros pode facilmente pender pro lado negro da força se não tiver preparo para enfrentar tudo e seguir sorrindo. Sorte eu ter enfrentado. Não foi o caso da colegial Zenko.

Zenko era humilhada na escola e em casa, por diversos motivos que passavam pelo diário desentendimento familiar e atingiam diretamente a baixa auto estima atrelada a aparência da menina, renegada pelos colegas da escola. Como toda boa história tem dois lados completamente opostos, aqui se tem a popular e meiga Ayumi, admirada por todos, amada pelos pais e alvo fácil da inveja da tão sofrida Zenko.

Sim, digo com todas as letras que quando somos levados a crer que somos as pessoas mais horríveis desse mundo é muito fácil nosso cérebro desviar para um sonho ilusório de que se estivessemos no lugar de outra pessoa, tudo seria diferente. Longe de tentar defender a Zenko, pois apesar de inicialmente ser vítima ela se tornou o pior que poderia se tornar ao invés de tentar enfrentar.

E é aqui que está o gatilho da história. E que talvez seja bem prejudicial tanto quanto a conhecida “13 porquês”, para quem realmente cogita este tipo de atitude. Claro que, no caso desta série, o feito de Zenko a proporciona algo que sempre quis, estar no lugar de Ayumi, sentindo na pele o que nunca sentiu sendo Zenko. Mas o horror gráfico não é pra qualquer um, então quem não estiver preparado pra ver, certamente pode simplesmente ficar por aqui pelo texto mesmo, ou passar direto por essas cenas.

Deixando o resto da história para quem se interessar em acompanhar mas ainda assim pronta para apontar suas discussões, lhes digo: só quem pode mudar o rumo de sua vida é você. Não é o corpo perfeito adquirido com muito suor e abstenção, não são os paparicos jogados em vão, não é o carro do ano, nem os milhões da Mega Sena ( que ,ok, mudam sim nossa vida kkkkkk, mas se você não tiver cabeça para administrá-los, também se perderá). É você e suas próprias atitudes.

Apesar da forte carga dramática e das cenas gatilho do modo como uma troca de corpo pode ser feita, no contexto da série, esta produção japonesa serve para nos fazer sentir a tal da empatia tão necessária nos dias de hoje. É possível, no decorrer da história, entender os dois lados e sentir exatamente o que cada uma sentia. E ao mesmo tempo, nos faz crer que nenhum sofrimento justifica você desistir de si mesmo para valorizar outras realidades.

Digo por experiência própria que é difícil sim construir uma auto estima do zero quando tudo parece ir contra o que queres alicerçar. Difícil, mas não impossível.

Se assistirem, me contem o que acharam. Estarei ansiosa em ouvir.

Tau, as emoções e os relacionamentos humanos

Curioso como parece que as vezes tudo, em um determinado dia, converge para um determinado tema. Em uma manhã dessas em que me reuni aos meus pais para tomar café antes de cada um seguir sua rotina, surgiu uma discussão no “Bom dia Brasil” sobre a “robotização” da mão de obra do futuro. O especialista ouvido na reportagem dizia que uma parte das pessoas seria facilmente substituída por robôs desenvolvidos para determinada função. E que isso significaria que parte das profissões existentes deixaria de existir.

Obrigada. Já está difícil arranjar emprego agora…imagine competindo por vagas, com robôs.

Mas o melhor, é claro, eles deixaram pro final. Os robôs ainda não possuem a sensibilidade e o “olho no olho” que os seres humanos possuem. Então as profissões que lidam diretamente com o comportamento e as necessidades humanas ainda precisarão de humanos para existir.

Quem diria, hein? Os sentimentos que julgamos serem nossas fraquezas, são nosso diferencial no mercado de trabalho do futuro.

Pela tarde, procurei em minha longa lista Netflix, um filme que pudesse agradar a mim e ao meu amado e tentei o filme “Tau”. E olha aí, a tecnologia e os robôs aparecendo de novo no meu dia! Acalmei para assistir a história que tinham a me contar.

Sem tentar antecipar nada sobre as surpresas maravilhosas que vi, lhes digo: a discussão levantada no jornal estava certa em termos, se colocada à prova na realidade futurística do filme.

O nosso diferencial como seres humanos ainda é sim nosso maior trunfo mas também é nossa maior fraqueza. Os sentimentos que sentimos são bons e são ruins e não é porque temos um ou outro que podemos ser taxados de pessoas totalmente boas ou totalmente ruins. Tomar a protagonista Julia como cobaia de um experimento envolvendo decodificação de emoções , considerando que ela não faria falta ao mundo por ser marginalizada e insignificante perante o julgamento de Alex, o grande cientista, foi trunfo dele. Julia não demorou muito a demonstrar que de insignificante, só a arrogância de Alex que, por ser um grande criador de tecnologias, pensa ter total controle de tudo mas só subestima os demais em detrimento de seu próprio ego.

E Tau? O que significa? Creio que você leitor, terá que descobrir essa resposta sozinho. E assim que descobrir, verá que nesta história há dois seres humanos e uma “máquina”. E muitas vezes esses papéis vão se inverter de formas impressionantes na sua frente e na sua mente.

Chego a conclusão, depois de ver este filme, que as vezes nosso maior trunfo pode ser a nossa perdição. E nesse futuro incerto dividido entre a realidades dos telejornais e o lúdico das ficções científicas, é difícil dizer quem sentirá mais ou quem será mais máquina.

“Como superar um fora” ou como um filme te ensina sobre aprender com os tombos da vida.

Zapeando pela Netflix e preenchendo a lista pessoal de títulos para ver algum dia, tropecei neste título: Como superar um fora.
A primeira pergunta a permear a mente foi “eu já superei algum fora?”. Superar é uma palavra muito forte, não é? Não por ainda amar algo vivido no passado,mas por requerer da pessoa uma espécie de laudo no qual estivesse descrito que já que se passou por muitos foras, nunca mais doerá, nunca mais sofrerá, não terá mais medo de passar por um de novo. Não é assim. As marcas ficam, os traumas, complexos e os choros sentidos também.

Aceitei mergulhar na narrativa enquanto me perdia em minhas próprias lembranças e Maria Fe, a protagonista do filme, me mostrou que eu nunca sequer passei por um fora de verdade. Meus amores platônicos nada tinham a ver com os anos compartilhados entre ela e Martín. Meus choros soluçados me achando a pior e mais feia pessoa do mundo não eram as mesmas dores que ela sentiu quando ele a deixou.

Sofri com ela, doeu em mim também, senti raiva, vibrei, fiquei indignada e orgulhosa da personagem que me foi mostrada naquela história. E foi no meio do caminho do roteiro que achei algo em comum entre nós duas: os maravilhosos amigos.

É bem verdade que, conforme os anos passam,o número de amigos tem diminuído por diversos motivos. Mas é importante reconhecer que, nos piores momentos da minha vida, mesmo os que já se foram tiveram papel fundamental no meu renascimento. Uma palavra, conselhos e puxões de orelha foram o suficiente para mim assim como o foram para Maria Fe.

A importância de algumas pessoas nas nossas vidas só serão sentidas quando entendermos o porque passamos por determinadas situações. Há sempre uma lição a ser aprendida, sobre o mundo ao nosso redor e sobre nós mesmos. Foi o que Maria Fe descobriu e é o que eu descubro diariamente, na minha vida agora, amando e sendo amada de verdade. Vale a pena cada choro, cada queda, cada desamor se isso tudo te ensinar o rumo certo da tua felicidade. Seja ela qual for, esteja ela onde estiver.

Esse filme me ensinou que também já superei muitos foras, de pessoas e da própria vida. Mostrou cada passo, como quem quer te fazer refletir que o que tem de ser sentido, será. Até sarar.
E te mostra que sempre tens escolha. E que a melhor escolha sempre será teu próprio crescimento, em detrimento de tudo o que tentar te fazer mal.

Assistam também. É maravilhoso.